Os jogos online fazem parte do cotidiano de muitas crianças e adolescentes, sendo utilizados não apenas como forma de lazer, mas também como espaço de socialização e construção de identidade. No ambiente escolar e familiar, torna-se fundamental compreender que esses jogos funcionam como ambientes digitais complexos, com regras, interações e estímulos próprios. Assim, o papel da educação é orientar, prevenir riscos e promover o uso consciente dessas plataformas.
Este texto apresenta alguns elementos comuns dos jogos online que podem representar desafios ou ameaças ao desenvolvimento infantil, especialmente quando não há mediação adequada de adultos.
1. Interação com pessoas desconhecidas
Muitos jogos online permitem que crianças conversem livremente com outros jogadores por meio de chats de texto ou voz. Embora isso possa favorecer cooperação e trabalho em equipe, também abre espaço para contato com pessoas desconhecidas, incluindo adultos.
Essa situação problemática foi atestada na Irlanda, onde descobriu-se que 65% das crianças entre oito e doze anos contataram estranhos em ambientes virtuais.[1]
No contexto educacional, é importante destacar que crianças ainda estão desenvolvendo senso crítico e noção de limites, o que as torna vulneráveis à manipulação em ambientes de interação online.
2. Conteúdo inadequado para a faixa etária
Grande parte dos jogos online utiliza conteúdo criado pelos próprios usuários. Isso significa que nem sempre há controle rigoroso sobre os temas abordados. Crianças podem ser expostas a linguagem imprópria, violência simbólica ou explícita e situações que simulam comportamentos adultos.
Do ponto de vista pedagógico, essa exposição precoce pode gerar confusão sobre valores, normas sociais e limites apropriados à idade.[2]
3. Sistemas de compras e consumo digital
Jogos online frequentemente utilizam moedas virtuais e oferecem itens pagos. Para crianças, a compreensão do valor do dinheiro ainda está em formação, o que pode levar a compras impulsivas, por exemplo.
A educação financeira e digital torna-se essencial para que o menor compreenda que decisões no ambiente virtual têm consequências reais.
4. Uso excessivo e dificuldade de autorregulação
Os jogos são desenvolvidos para manter o jogador engajado, oferecendo recompensas constantes, desafios progressivos e eventos por tempo limitado. Em crianças, podendo dificultar o controle do tempo de uso, a organização da rotina de estudos e sono e o equilíbrio entre atividades online e offline.[3]
É fundamental, portanto, o papel educacional em contribuir orientando sobre limites, rotina saudável e uso consciente da tecnologia.
5. Golpes e desinformação digital
Ambientes online também expõem crianças a tentativas de engano, como promessas de vantagens falsas dentro do jogo ou links externos perigosos. Por falta de experiência, elas podem acabar compartilhando informações pessoais, clicando em conteúdos inseguros e acreditando em falsas recompensas.
Esse cenário reforça a importância da educação para a segurança digital, ensinando cuidados básicos e atitudes preventivas.
Conclusão
No contexto educacional, os jogos online devem ser compreendidos como ferramentas que exigem mediação, e não como vilões absolutos. Os riscos associados a essas plataformas estão relacionados, principalmente, à falta de orientação, limites e acompanhamento.
A escola, em parceria com a família, tem papel fundamental na educação digital, ajudando crianças a desenvolver senso crítico, responsabilidade, autocuidado e consciência sobre o uso seguro da tecnologia.[4] Promover o diálogo e a informação é a melhor forma de transformar o ambiente digital em um espaço mais saudável e educativo.
[1] Disponível em: Shock figures reveal 65 per cent of kids aged 8-12 in Ireland were contacted by a stranger online.
[2] Disponível em: Internet and Video Games: Causes of Behavioral Disorders in Children and Teenagers.
[3] Hygen, B. W., Zahl-Thanem, T., Wichstrøm, L., Belsky, J., Stenseng, F., Kvande, M. N., & Skalicka, V. (2019). Time spent gaming and social competence in children: Reciprocal effects across childhood. Child Development, 91(3), 861–875. https://doi.org/10.1111/cdev.13243
[4] Disponível em: Sibling and friend game time key to keeping children safe in online video games | Penn State University.




