Mercado ilegal de apostas recua no Brasil, aponta estudo

A participação do mercado ilegal de apostas no Brasil caiu nos primeiros meses de 2026, segundo um novo estudo da LCA Consultores, divulgado pelo Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR) nesta terça-feira, 11.

O levantamento aponta que as plataformas não autorizadas representaram entre 38% e 44% do mercado de apostas entre janeiro e junho de 2026. No estudo anterior, divulgado em junho de 2025, a estimativa ficava entre 41% e 51%.

Apesar da redução, o mercado ilegal ainda representa uma parcela significativa das apostas realizadas no país. Para o jogador, a principal preocupação é que plataformas que operam sem autorização não estão sujeitas às mesmas regras de proteção aplicadas às casas de apostas licenciadas no Brasil.

Por que o mercado ilegal oferece mais riscos?

Sites que não têm autorização para operar no país podem não oferecer as mesmas ferramentas de segurança e proteção ao usuário exigidas das empresas licenciadas.

Entre os riscos apontados pelo estudo, estão a ausência de mecanismos de jogo responsável, menor proteção ao consumidor e o uso de formas de pagamento que não são permitidas no mercado regulado, como cartão de crédito e criptomoedas. As plataformas ilegais também podem oferecer promoções e bônus que não são permitidos pela legislação brasileira.

Outro problema é que alguns sites utilizam nomes semelhantes aos de marcas autorizadas, o que pode dificultar a identificação por parte do apostador. Essas plataformas também podem mudar de endereço na internet com frequência para continuar funcionando.

Por isso, antes de criar uma conta ou depositar dinheiro, é importante verificar se a empresa está autorizada a operar no Brasil.

Pesquisa mostra perfil de quem acessa sites ilegais

O estudo da LCA também utilizou dados de uma pesquisa realizada pelo Instituto Locomotiva, em maio de 2026. Entre os entrevistados que apresentaram características associadas ao acesso ao mercado ilegal:

  • 53% disseram ter apostado em sites que não exigiam reconhecimento facial;
  • 48% utilizaram sites que não tinham o domínio “.bet.br”;
  • 37% fizeram depósitos com cartão de crédito;
  • 23% utilizaram criptomoedas.

A pesquisa também encontrou um dado importante para o jogo responsável: 61% desse grupo disseram já ter sentido que apostaram mais do que deveriam. O percentual foi de 42% entre os demais apostadores entrevistados.

A utilização da ferramenta de autoexclusão também foi maior entre o grupo associado ao mercado ilegal. Quase metade (48%) afirmou já ter utilizado o recurso, contra 30% dos demais participantes.

Maioria deixaria de usar plataforma ilegal

Outro resultado chama atenção para a importância da informação dos apostadores. Segundo o estudo, dois em cada três jogadores deixariam de acessar um site de apostas caso descobrissem que a plataforma opera ilegalmente. Isso mostra que saber identificar uma empresa autorizada pode ser uma das formas de reduzir a exposição aos riscos do mercado clandestino.

Além disso, a publicidade digital aparece como uma das principais formas de atração de novos usuários para essas plataformas. Como os anúncios na internet podem alcançar muitas pessoas rapidamente, a identificação de publicidade relacionada a sites não autorizados continua sendo um desafio.

Governo amplia proteção aos jogadores

O estudo da LCA também destacou medidas da Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA), do Ministério da Fazenda, para fortalecer a proteção dos jogadores. Entre elas estão, a autoexclusão centralizada, que permite bloquear o acesso às plataformas autorizadas, e o selo para operadores licenciados. O levantamento também citou ações em andamento voltadas ao jogo responsável e à prevenção de danos.

Como o apostador pode se proteger?

A redução do mercado ilegal é um sinal de avanço, mas os dados mostram que ele ainda está presente no país. Por isso, alguns cuidados são importantes antes de apostar:

  • Verificar se a plataforma é autorizada a operar no Brasil;
  • Desconfiar de sites que utilizam nomes muito parecidos com marcas conhecidas;
  • Evitar plataformas que oferecem métodos de pagamento não permitidos;
  • Conhecer e utilizar ferramentas de jogo responsável, como a autoexclusão;
  • Não tratar apostas como fonte de renda;
  • Procurar ajuda caso perceba perda de controle sobre o comportamento de apostar.

Lembre-se:

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